No title... 1
Noite de Verão. O bar-discoteca da sua praia favorita.
Uma noite fabulosa, de música, dança, diversão e muita alegria...
Um grupo de amigos, nada pequeno, alguns de sempre, alguns de alguns dias, de ir tanto aquela praia e aquele bar...
O som, a puxar para a dança, às vezes mais batida do que lhe apetecia ouvir, mas na verdade era mais do que altura para esquecer e exorcisar tudo o que tinha passado.
O Verão estava no meio. E era a primeira vez que se sentia verdadeiramente bem, sem problemas, feliz até.
Com aquelas pessoas, com aquele grupo, com aquela companhia.
A noite durou até tarde...
...
...
Os primeiros raios de sol bateram-lhe na cara e fizeram com que abrisse os olhos, e aos poucos enquanto voltava à realidade foi-se recordando da noite anterior.
Havia uma parte substancial, da qual não se recordava muito bem...
E de repente, a realidade do momento, o sítio onde estava, como estava, com quem estava, tomou conta da sua cabeça... do seu pensamento...
"Como é que isto chegou a este ponto? Como é que isto aconteceu?..."
Estas duas perguntas não saiam da sua cabeça, e faziam-na rodopiar a toda a velocidade.
Tentou calcular que horas seriam, muito cedo por certo, ainda não havia ninguém na praia.
Olhou para o mar, e viu-o calmo. Tão calmo, como há muito não lhe parecia... Parecia uma verdadeira manta azul, de onde aparentemente vinha uma onda de calma.
Sem se aperceber suspirou, e o movimento desse seu suspiro, trouxe um outro movimento de suspiro em seguida, mas este não era seu. De todo.
Este outro suspiro era mais forte, mais compassado, ainda descansado, ainda afundado num sono quase que profundo.
Ao observar tudo à sua volta, a calma da praia vazia, a calma do mar que se estendia à sua frente unindo-se ao azul do céu, completamente sem nuvens, e a calma da respiração que estava junto à sua, deixou e sentiu toda essa calma tomar conta de si. E pensou para si que há muito tempo que não sentia o que estava a sentir, e que saudades de tudo aquilo.
...
...
O sol subiu um pouco mais, e a respiração que ouvia, começou a ficar diferente, e um novo suspiro fez-se ouvir, mais profundo, típico de «acordar»... a confusão, e a dúvida rapidamente voltaram... E esforçando-se para se mexer o menos possível até encontrar uma solução, tornou a suspirar.
Este suspiro causou uma nova resposta, um movimento suave, e...
... um olhar brincalhão estava a olhar para si, divertido com a confusão que observavam ao acordar.
A sua resposta, foi exactamente essa, um olhar confuso, sem saber o que dizer mais, o que fazer.
Mas um sorriso rasgou-se à sua frente, e um doce beijo foi-lhe depositado na face, com todo o carinho, seguido de um... «Vamos ao banho?» E foi...
E ali ficou... A olhar. A vê-la a entrar naquele mar calmo e pacífico, com o seu biquini favorito, pela manhã, voltando-se para trás como que a chamá-lo.
E pensou... que se dane, não importa como aconteceu. Mas ainda bem que aconteceu, tenho o direito de ser feliz outra vez!



















