Black Roses

Friday, June 12, 2009

Quem iria dizer ou sequer mesmo pensar que nos reencontraríamos assim…?
Quem me visse naqueles preparos poderia pensar que tinha surtado de vez, assim naqueles preparos… Calças gastas dobradas até aos joelhos, topo que deixava ver todas as minhas costas, e sentada no chão da sala.
Não estou sozinha. Estou à conversa com ela, trocamos ideias sobre tudo e sobre nada, poder-se-ia dizer que estamos a «jogar conversa fora», mas na verdade não o considero desse modo. Afinal não nos conhecemos assim há tanto tempo, mas simpatizámos e acabamos por aproveitar este momento sós, sem a voz masculina dele, para nos conhecermos um pouco melhor.
Hoje começámos a conversa pelo actual passatempo de ambas, diversão e tornar o sítio onde estamos, um bocadinho mais engraçado, e pessoal. Ela pediu-me que pintasse uma tela para por ali, na sala, e hoje esse é o plano, pintar a bendita tela. As duas sentadas no chão da sala, com uma série de tintas de variadas cores, e eu com uma tela à frente.
Enquanto eu tendo decidir o que pintar, ela vai contando porque estamos sózinhas. Ele foi buscar o Outro, vinha hoje para se lhes juntar naquela casa. Que não vinham só os dois, Ela e Ele, mas um Outro, terceiro, também vinha, mas que ainda tinha ficado em casa porque tinha umas coisas a terminar e assuntos a resolver.
A música, que sempre fez parte dos nossos momentos desde que Ela e Ele chegaram, normalmente em tom baixo apenas para dar ambiente, interrompe a minha ligação ao raciocínio d’Ela, e sigo o novo rumo ditado pela música. A música fez-me voar para o passado, recordei momentos bem dispostos, e deu-me a inspiração para fazer a tela… Ela percebeu a minha descolagem para um sítio longe daqui e deixou-me ir na minha viagem.

A tela ficou linda…